Este protagonismo ficou mais explícito durante a pandemia, segundo a entidade referência no combate à covid-19 no Brasil. Tanto que a Associação Nacional dos Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (Anesp) declarou que a “guerra contra o coronavírus tem rosto de mulher”.
Verena destaca a relevância das mulheres em seu cotidiano profissional. “Tive a oportunidade de trabalhar com muitas mulheres (…) conhecê-las e ouvir suas histórias me faz enxergar que todas as mulheres são inspiradoras, cada uma do seu jeito. Todas temos nossos encantos, belezas, vitórias, alegrias, medos e derrotas, e sabemos como ninguém dar a volta por cima e seguir em frente”.
Luta feminista e antirracista
A Coordenadora-Geral de Gestão de Pessoas (Cogepe) da Fiocruz, Andréa da Luz Carvalho reforça a opinião de Verena, mas lembra das dificuldades impostas pelo machismo estrutural. “A mulher vem ao longo dos últimos 20 anos acelerando um processo de maior capacitação que os homens e ocupando posições de chefia na sociedade. Porém, as barreiras do machismo continuam sendo impeditivas para o alcance de cargos no alto escalão”, afirma.
Andréa, que compõe o Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da Fiocruz, afirma que sua maior referência é a ativista norte-americana Angela Davis. “Várias inspiraram minha trajetória de vida e profissional, mas citarei uma, que é a Angela Davis. Ela fala da posição importante de não só ser contra o racismo, mas sim ter uma posição ética de ser antirracista. Ser antirracista é pensar em combater o racismo estrutural que subjaz e compõe a sociedade capitalista. Ter essa clareza, aumenta muito minha responsabilidade como gestora pública. Por isso, é fundamental atuar em cada área da Fiocruz para ampliar a presença de negras e negros na nossa instituição e garantir que seus trabalhos sejam reconhecidos”.