A temperatura da superfície global, segundo o relatório, aqueceu mais rapidamente desde 1970 do que em qualquer outro período de 50 anos, pelo menos nos últimos 2 mil anos, com o aquecimento atingindo profundidades oceânicas abaixo de 2 mil metros.
As atividades humanas também afetaram a precipitação global (chuva e neve). Desde 1950, a precipitação global total aumentou, mas enquanto algumas regiões ficaram mais úmidas, outras ficaram mais secas. De forma geral, a frequência e a intensidade dos eventos de precipitação intensa aumentaram na maioria das áreas terrestres. Isso ocorre porque a atmosfera mais quente é capaz de reter mais umidade, aproximadamente 7% a mais para cada grau adicional de temperatura.
Mais eventos climáticos extremos
O relatório do IPCC também mostra que a influência humana foi detectada pela primeira vez em eventos extremos combinados. Como exemplo, são mencionadas as incidências de ondas de calor, secas e incêndios que acontecem ao mesmo tempo e agora passaram a ser mais frequentes. Esses eventos compostos foram vistos na Austrália, Sul da Europa, Norte da Eurásia, partes das Américas e florestas tropicais africanas.

De acordo com o pesquisadores, alguns extremos de calor observados recentemente, como o verão australiano de 2012–2013 , teriam sido extremamente improváveis sem a influência humana no clima.
‘Sentença de morte’ para combustíveis fósseis
O IPCC aponta que a velocidade com que o CO₂ atmosférico aumentou desde o período da Revolução Industrial (1750) é pelo menos dez vezes mais rápida do que em qualquer outra época durante os últimos 800 mil anos, e entre quatro e cinco vezes mais rápida do que durante os últimos 56 milhões de anos.
Aproximadamente 85% das emissões de CO₂ são provenientes da queima de combustíveis fósseis e os 15% restantes são gerados por mudanças no uso da terra, como desmatamento e degradação.
O secretário-geral da ONU António Guterres alertou que o relatório é um “código vermelho” para a humanidade. “Os alarmes são ensurdecedores e as evidências são irrefutáveis: as emissões de gases de efeito estufa da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento estão sufocando nosso planeta e colocando bilhões de pessoas em risco imediato”, pontuou.
Guterres pediu o fim de novas usinas de carvão e de exploração e desenvolvimento de novos combustíveis fósseis, e que governos, investidores e empresas concentrem todos os seus esforços em um cenário futuro de baixa emissão de carbono. “Este relatório deve soar como uma sentença de morte para o carvão e os combustíveis fósseis , antes que destruam nosso planeta”, disse.
Oceanos ácidos e quentes. E mudanças climáticas irreversíveis
Ainda que um esforço global consiga limitar o aquecimento a 1,5 °C , impactos de longo prazo do aquecimento já em curso provavelmente serão inevitáveis e irreversíveis. Isso inclui o aumento do nível do mar, o derretimento do gelo ártico e o aquecimento e acidificação dos oceanos. O relatório aponta que reduções drásticas nas emissões podem evitar mudanças climáticas ainda piores, mas não farão com que o mundo volte aos padrões climáticos do passado.

Os oceanos absorvem 91% da energia do aumento dos gases de efeito estufa atmosféricos, o que levou ao aquecimento do oceano e a mais ondas de calor marinhas, principalmente nos últimos 15 anos. A acidificação, causada pela absorção de CO₂, ocorreu em todos os oceanos e está atingindo profundidades superiores a 2 mil metros no Oceano Antártico e no Atlântico Norte.
O derretimento dos mantos de gelo e das geleiras, junto com a expansão do oceano à medida que ele aquece, levou a um aumento médio do nível do mar global de 0,2 metros entre 1901 e 2018. Mas a velocidade de aumento do nível do mar está aumentando, passando de 1,3 milímetros por ano durante o período entre 1901 e 1971 para 1,9 mm anuais durante 1971-2006 e, depois, alcançando 3,7 mm por ano entre 2006 e 2018.
A temperatura da superfície da Terra continuará a aumentar até pelo menos 2050 em todos os cenários de emissões considerados no relatório. A avaliação mostra que a Terra pode exceder o limite de aquecimento de 1,5 ℃ no início de 2030. O aquecimento global permanece abaixo de 2 ℃ durante este século apenas em cenários onde as emissões de CO₂ atingem zero líquido por volta de ou após 2050.
Segundo o IPCC, para estabilizar o clima, as emissões de CO₂ devem chegar a zero líquido, e outras emissões de gases de efeito estufa devem diminuir significativamente. A humanidade precisa agir.
*Com informações de The Conversation e do The Guardian