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Celular, Golpes, Idosos
Como o uso de celular pode impactar a população com mais de 60 anos

03/09/2026

A terapeuta ocupacional Renata Maria Silva Santos, pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (INCP-UFMG), fala sobre o tema em entrevista ao site Brasil de Fato.

Quando se fala em pessoas grudadas no celular, a imagem que vem à cabeça é de jovens. Mas pessoas com 60 anos ou mais já são usuárias assíduas de smartphones. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, em 2025, 74,5% dessa população afirmou usar celular, contra menos de 45% em 2019. A pandemia da Covid-19 pode ser encarada como um importante fator desse processo, que gerou quadros depressivos e de muita ansiedade, mas há outros aspectos sociais, como as formas de se manter conectado com redes de apoio e a solidão na velhice.

A terapeuta ocupacional Renata Maria Silva Santos, pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (INCP-UFMG), explica, em entrevista ao portal Brasil de Fato. que, embora o acesso à tecnologia traga benefícios, como o aumento da autonomia diária e a redução dos sentimentos de solidão, ele também funciona como uma faca de dois gumes, expondo os idosos a novos riscos, como a nomofobia (ansiedade, por ficar desconectado), golpes financeiros e até românticos.

“A nomofobia está ligada diretamente ao medo da falta de conexão. Já a dependência de telas é esse uso que a gente costuma chamar de problemático. Ele não está relacionado somente ao medo de ficar desconectado para resolver qualquer tipo de necessidade para as atividades de vida diária. É aquele uso mais “descontrolado”, quando a pessoa realmente perde o controle em relação ao uso do equipamento”, explica ao BdF Entrevista, diferenciando os dois conceitos.

Nesse cenário mais “descontrolado”, é possível observar um quadro de “retroalimentação da solidão”. “A pessoa começa a se envolver muito, via celular, e perde a parte presencial e aquelas trocas importantes, como por exemplo: atividades físicas, que produzem substâncias benéficas para o organismo, que aumentam a sensação de prazer, de querer retornar para aquele evento, de estar em contato com outras pessoas”, avalia.

É nesse momento, segundo Santos, que a pessoa fica mais suscetível a quadros de uso excessivo de celulares e pode virar vítima de crimes virtuais. A vulnerabilidade a fraudes virtuais ocorre porque os criminosos agem de forma estratégica sobre fragilidades emocionais e a falta de vivência digital dessas pessoas.

“Os golpistas exploram esses comportamentos humanos universais: o medo, a afeição, a urgência”, destaca a pesquisadora.

Ao mesmo tempo, o patrimônio financeiro acumulado ao longo da vida e o isolamento social tornam os idosos alvos mais visados por criminosos. “O golpista detecta as fragilidades e vai atuar exatamente em cima daquilo que está em falta na vida da pessoa. Nesses casos, a pessoa com pouca leitura do ambiente digital, leitura social do ambiente digital fica mais exposta, avalia a pesquisadora.

Renata Maria Silva Santos avalia que uma das formas de reduzir esses riscos e promover uma relação mais saudável de idosos com as telas é investir em letramento digital de forma paciente e estruturada, idealmente por meio de políticas públicas. Segundo a pesquisadora, isso dará autonomia ao idoso.

“O letramento, ensinar, mostrar como funciona, como a pessoa deve proceder nas diferentes plataformas, é importante, mas sem infantilizar, para que a pessoa idosa realmente possa aprender e buscar conhecimento”, conclui a terapeuta ocupacional.

Veja o vídeo com a entrevista realizada pelo portal Brasil de Fato (BdF):

Link direto: https://youtu.be/sR6PP5CQF6I

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