16/06/2026
Pesquisa realizada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, em parceria com o Datafolha, mostrou que 78% das crianças de 0 a 3 anos estão expostas diariamente às telas; esse número é ainda maior entre as de 4 a 6 anos, chegando a 94%
De acordo com o levantamento “Panorama da Primeira Infância: O que o Brasil sabe, vive e pensa sobre os primeiros seis anos de vida”, realizado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, em parceria com o Datafolha, crianças de 0 a 2 anos ficam em média 2 horas por dia usando telas.
Esse cenário é o contrário do que especialistas propõem. A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é que crianças nessa faixa etária não tenham contato com telas. Entre 2 e 5 anos, o limite recomendado é de até 1 hora por dia e dos 6 aos 10, entre 1 e 2 horas.
A pesquisa mostrou que 78% das crianças de 0 a 3 anos estão expostas diariamente às telas. Esse número é ainda maior entre as de 4 a 6 anos, chegando a 94%.
“Diversos estudos mostram que há uma relação entre o tempo de tela e o risco de problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão. Além disso, o uso excessivo dessas tecnologias na infância pode afetar negativamente o desenvolvimento infantil, causando problemas como obesidade, isolamento social, dor muscular, déficit de atenção, hiperatividade e queda no rendimento escolar”, ressalta Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.
O Panorama da Primeira Infância revelou que somente 55% da população brasileira acredita que o uso de telas nos primeiros anos de vida afeta a saúde das crianças.
Quanto menos tempo em frente às telas e mais tempo com brincadeiras ao ar livre, melhor para as crianças. Entre os entrevistados da pesquisa, a maioria acredita que elas passam tempo adequado realizando atividades sociais como conversar, brincar ou passear.
Apesar disso, há uma preocupação relacionada ao tempo despendido em frente a TVs, tablets e celulares. Quatro (4) em cada dez (10) entrevistados avaliam que as crianças passam mais tempo do que deveriam com dispositivos eletrônicos.
Quando questionadas sobre as melhores formas para uma criança passar o tempo, 50% das pessoas ouvidas defendem que elas devem brincar ao ar livre e praticar atividades físicas.
“Na hora que o cérebro mais precisa dos estímulos do mundo real – do olhar, do toque, do movimento, da brincadeira ao ar livre, da convivência e da natureza – a gente está restringindo a criança a uma tela. As consequências disso são sérias: prejuízos na linguagem, na criatividade, na atenção, no sono, na saúde física, no desenvolvimento socioemocional. E menos da metade da população sabe disso”, afirma o pediatra Daniel Becker.
Estar em contato constante com telas causa impactos nocivos diversos às crianças. Essa percepção aparece tanto na avaliação de especialistas e pesquisadores da área, quanto na fala de cuidadores e população em geral.
Aproximadamente 40% das pessoas ouvidas na pesquisa afirmaram que o uso de telas torna as crianças mais agitadas e agressivas, e outros 56% relataram que o uso desses dispositivos impacta diretamente na saúde das crianças, prejudicando a visão e os movimentos, por exemplo.
A pesquisa “Panorama da Primeira Infância: O que o Brasil sabe, vive e pensa sobre os primeiros seis anos de vida” foi realizada entre os dias 8 e 10 de abril de 2025 com uma amostra nacional, por meio de entrevistas presenciais em pontos de fluxo populacional. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para a amostra geral e 3 pontos para os responsáveis por crianças. No total, 2.206 entrevistas foram realizadas (amostra nacional), sendo que 31% são responsáveis pelo cuidado de bebês e crianças de até 6 anos.
Publicação extraída da site da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal; para outras informações ou conhecer o trabalho realizado pela Fundação, acesse o link abaixo:
https://fundacaomariacecilia.org.br/noticias/primeira-infancia-brincar-livre-exposicao-a-telas-alta/