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Elas Vivem: a cada 24h, 12 mulheres foram vítimas de violência

Reproduzimos, a seguir, reportagem extraída do portal TVT news.

Foram 4.558 vítimas registradas em 2025, um aumento de 9,0% em relação a 2024

A cada 24 horas, ao menos 12 mulheres foram vítimas de violência em 2025, nos nove estados monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança (AM, BA, CE, MA, PA, PE, PI, RJ, SP). O dado é revelado no novo boletim Elas Vivem: a urgência da vida, divulgado hoje, dia 6 de março. Ao todo, foram registradas 4.558 mulheres vitimadas, representando um aumento de 9,0% em relação a 2024.

Destacou-se de maneira preocupante, em 2025, o aumento dos casos de violência sexual/estupro. Os registros tiveram um crescimento de 56,6% — de 602 para 961 casos. O perfil das vítimas revelou uma realidade devastadora: 56,5% das vítimas eram crianças e adolescentes de 0 a 17 anos.

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A sexta edição do relatório expõe uma realidade cruel que ainda violenta mulheres, negligencia socorro e omite dados capazes de subsidiar políticas públicas efetivas. Continuamos chamando atenção para um fenômeno muito maior, que não pode ser normalizado pela sociedade e pelo poder público como apenas mais uma pauta social. 

O descaso com a pauta distorce a percepção da realidade: impacta no aumento de casos — 546 vítimas de feminicídio e 7 transfeminicídios —, encoraja agressores (78,5% das violências foram cometidas por companheiros e ex-companheiros), inibe a denúncia, compromete a eficácia das políticas públicas e o entendimento da gravidade em territórios específicos, perpetuando o ciclo de impunidade. Sem números que reflitam a dimensão fiel da barbárie, as ações de prevenção e acolhimento tornam-se reativas e superficiais, e falham na proteção daquelas que, por estarem invisibilizadas pelo sistema, continuam à mercê dos autores dos crimes.

“Evocar a vida, em vez da morte, em um documento estatístico que compõe um perturbador inventário das violações […] cumpre o papel paradoxal e necessário de romper as ‘máscaras silenciadoras’ e de amplificar vozes de denúncia e resistência que transbordam os números”, disse Flávia Melo, autora do principal texto desta edição.

O estudo conclui que estados e Governo Federal precisam de campanhas estruturais de prevenção, para além do modelo de resposta imediata. Não é mais aceitável limitar o papel do Estado ao acolhimento de vítimas, que não param de ser produzidas. Embora as medidas policiais e judiciais sejam indispensáveis, elas operam apenas quando danos físicos e psicológicos já foram consumados.

Para que a violência deixe de ocorrer, é preciso atuar na mentalidade que a legitima. Isso exige:

Educação de base: inserir debates sobre equidade de gênero e resolução não violenta de conflitos nos currículos escolares desde a infância.

Desconstrução cultural: promover ações que desafiem os estereótipos de masculinidade tóxica, responsáveis por alimentar o ciclo de dominação e posse.

Engajamento social: mobilizar as áreas de saúde e as redes sociais para identificar precocemente comportamentos de risco, tratando a violência como um problema de saúde pública e não apenas de polícia.

Precisamos investir na reeducação da sociedade e na formação de homens conscientes de seus limites e responsabilidades, para conseguirmos interromper a engrenagem que sustenta a violência contra as mulheres.

Para ler a íntegra e conferir os dados apurados pelo levantamento, acione o link abaixo e siga para o portal da TVT news.

https://tvtnews.com.br/elas-vivem-cada-24h-12-mulheres-vitimas-violencia/