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Cine Sesi promove mostra de curtas feitos com celular por jovens do Rio de Janeiro

Jovens do Complexo da Maré, na zona norte do Rio, apresentaram neste sábado (10) produções de curtas-metragens filmados com o celular na mostra Cine Sesi + Curta Periferias.

Esta edição da mostra contou com a participação de duas turmas, atendendo 40 jovens da comunidade, para a construção de narrativas feitas a partir da visão dos participantes sobre seus territórios, vivências e desafios.

Audiovisual produzido com celular / Imagem Google

A iniciativa teve como objetivo promover o desenvolvimento de competências criativas, técnicas e profissionais por meio do audiovisual. Entre os filmes realizados estão:

O Cine Sesi + Curta Periferias conta com o apoio do Conselho Nacional do Sesi, por meio do edital Conexão Sesi, e é resultado da união de atividades extracurriculares focadas no desenvolvimento da linguagem cinematográfica como ferramenta pedagógica, em interlocução com a indústria audiovisual.

A proposta foi desenvolvida pela Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio e implementada pela Universidade Internacional das Periferias (Uniperiferias).

A iniciativa combina formação técnica, experimentação artística e desenvolvimento de projetos audiovisuais, fortalecendo o acesso de jovens das periferias a oportunidades de aprendizado, expressão cultural e inserção profissional no setor criativo.

Mercado de trabalho

Para o presidente do Conselho Nacional do Sesi, Fausto Augusto Junior, o jovem da periferia tem histórias para contar, e o programa viabiliza essa oportunidade.

“O que nós buscamos é viabilizar esse acesso. O Cine Sesi começa com um celular na mão para o jovem aprender sobre cinema. A nossa ideia é viabilizar o mercado de trabalho. A gente quer apoiar projetos que nasçam da realidade de cada território e, a partir disso, ampliar as oportunidades de quem vive aquele local”.

Vinícius Mano, gerente de Educação Básica da Firjan Sesi, o projeto tem como objetivo usar a linguagem cinematográfica para despertar o interesse e a curiosidade de desenvolver pensamento crítico dos estudantes.

Segundo Mateus Affonso, coordenador de Tecnologia e Inovação na Uniperiferias, trata-se de um projeto muito importante para os jovens, porque toca em um ponto que é a missão de lutar e promover a dignidade de sujeitos periféricos, de moradores de comunidades.

“Foi um projeto muito positivo por podermos dar autonomia a jovens e adolescentes que puderam se sentir confortáveis em contar sua própria história e a do seu território. Os curtas envolvem os desejos, as vontades e as potencialidades dessas pessoas que passaram por essa formação”, disse Affonso.

O programa

O Cine Sesi + Curta Periferias é uma formação em audiovisual para jovens moradores de favelas do Rio de Janeiro, e foi realizada no Complexo da Maré de 11 de agosto e 29 de setembro de 2026, com carga horária de 24 horas.

O processo seletivo recebeu 137 inscrições, mais de três candidatos por vaga, e selecionou 40 participantes, com idades de 16 a 35 anos, divididos em duas turmas.

Ao longo de 22 oficinas, os jovens aprenderam roteiro e outras etapas da realização audiovisual e produziram, em grupo, curtas sobre o território onde vivem. Ao final, 32 participantes concluíram a formação – oito em cada dez selecionados.

O resultado foram sete curtas-metragens, que somam quase 38 minutos de filme. Um júri de cinco profissionais do cinema do Rio de Janeiro avaliou os filmes, deixou comentários para cada grupo e escolheu os três curtas premiados com troféus.

Jordan Balbino Ferreira, de 26 anos, participou da produção do curta A Dança da Vida, que conta a história de Isis, que cresceu dançando no Centro de Assistência e Desenvolvimento Integral, na Maré.

Hoje, a aluna virou professora e dá aulas no local. Entre passos que aprendeu e passos que agora repassa, sua história mostra como um sonho de infância pode transformar a vida de alguém.

“O curso foi muito bom. Eu tive contato pela primeira vez com o conteúdo do audiovisual. Pude ver como poderia realizar produções audiovisuais com meu próprio telefone. Foi bom colocar em prática tudo o que aprendi na sala de aula”, disse Jordan.