Mazé Figueiredo, a força do pulsar!

Fazia dias que eu queria escrever, mas eu escrevo coisas que não sei pensar. Eu não sou um escritor que fica elaborando frases, eu não sei buscar enfeitar a palavra nem a escrita. Geralmente eu escrevo o que eu sinto. Regra alguma me prende ou me dignifica quando o caminho é a palavra. Eu sou um musico que não toca, mas eu entendo da sonoridade das coisas que eu me proponho. Eu sei o que é uma boa música, embora eu não saiba cantar. Eu sei o que é uma melodia verbal elevada a sua condição poética. Isto ninguém me ensinou, eu praticamente me reaprendi.

E reaprender, aprender é uma condição superior a qualquer outra. Aprender é mais dignificante do que ensinar. E eu tenho aprendido com a sabedoria e experiência de vida dos meus amigos de mais idade. Eu ainda estou cego diante do que posso escrever, mas sei que escrevo para uma amiga muito especial – Mazé Melo Figueiredo. Ela é uma senhora da terceira idade, mas com uma espiritualidade no esplendor de tudo o que possa vir a ser primaveril. Ela tem o saltitar de bichos indecifráveis contentes por jardins naturais da beleza do existir. Ela está se recuperando de mais uma cirurgia… Mais uma entre tantas. E ela é aquela que quando vai se internar escreve para os amigos, deixa cartas escritas para os familiares, e no caminho dessas escritas, eu tenho certeza, que ela não fala de despedida. Ela é a força do pulsar. A vida pulsa em seus pulsos ao lado do dourado de alguma pulseira que também brilha e pulsa.

Mazé Melo é contágio! Ela é contagiante de uma vida marcada e pontuada na alegria de se ser. Eu quis escrever este texto somente após ela voltar para casa. É isto também a Glória da chegada! Ela sempre chega feito revoada de passarinhos. Ela nunca chega só, e se chega logo há uma revoada de gente feito pássaros a se contentarem com sua presença, sempre inconfundível. Ela lembra abril, que é o mês mais bonito. Nenhum mês tem a beleza da musicalidade que ele tem. O único mês que tem intensidade vívida em sua condição sonora é A-BRIL. E nela há um vento que se transporta para o cheiro de maio. E Mazé é também esse maio, com suas cores brancas, suas flores e perfumes, seus azuis celestes, suas regiões e legiões do sorriso feito o canto e mistério de uma cigarra.  Vida longa, Mazé… Paz e luz com sonoridade e brilho.

(por Antonio Marcelo)

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